Todas as manhãs eu acordava e olhava para aquelas buganvílias. Já tinham perdido o rosa das flores no Verão e estavam todas douradas pelo Outono, mas isso não as fazia em nada menos bonitas. Um dia, já no Inverno, acordei com o som de uma serra eléctrica. Um som que me sobressaltou. Vesti-me à pressa e saí a correr pela porta da cozinha. E eram as buganvílias, a serem brutalmente decepadas. Gritei-lhe que parasse, mas ele riu-se e respondeu que o patrão é que tinha mandado. "E o patrão é assim, vai tudo raso".
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Hoje encontrei estes excertos de um filme de Akira Kurosawa, "Dreams". Fico mais consolada por não ser a única pessoa do mundo capaz de compreender que se chore amargamente pela morte de uma buganvília.
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