Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Inefável







Assisti a tudo desde o princípio, quando a imagem do falecido senhor José de Jesus Vieira, fundador da metalização de Alfena, retratado neste busto a pedido da sua família, ainda se limitava às fotografias existentes e aos primeiros esboços desenhados a compreender-lhe os volumes, as linhas e os planos. Depois ganhou forma no barro, gerou um gémeo em gesso e por fim realizou-se no mármore.


Segundo o autor (Pedro Barbosa), isto não passa de um exercício de vontade. Quer ele dizer, qualquer um faria, desde que tivesse vontade.
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Que foram usadas doses cavalares de vontade, não haja a mínima dúvida. Este género de trabalho põe permanentemente os músculos em pé de guerra, dá cabo da pele das mãos, depois obriga a respirar com uma máscara muito desconfortável e a usar durante dias e dias protectores nos ouvidos. E o maior esforço de vontade reside no rigor da sequência dos procedimentos e na infinita paciência que para isso é precisa. Para nem falar de que é preciso saber fazer e saber, de antemão, que se consegue.

Mas quando eu olho para o resultado final e sinto a indizível presença daquele sentimento que só algumas - poucas - coisas me dão, acho que é preciso muito mais do que vontade, paciência e saber, o que já não seria pouco e há pouco quem tenha. É preciso, como diria Socrates, o grego, ter um daimon pessoal. Como diria Garcia Lorca, é preciso ter duende...
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