...Há dias assim... Estranhos, místicos, iluminados... Dias em que acordamos preocupados porque a nossa mãe está no hospital, e apesar de tudo o sol brilha, a nossa gata pisca-nos o olho da outra travesseira e depois sentamo-nos e enquanto saboreamos o gosto do pão barrado com compota de framboesa e creme de queijo e o da memória, mal aguentamos a luz que o chão da cozinha reflecte. Daí a pouco alugámos a uma senhoria saída dum passado remoto como dum buraco de Alice o atelier refúgio dos nossos sonhos com os vizinhos do nosso coração e a melhor porteira expert em cogumelos comestíveis do universo e arredores.
E depois, enquanto descemos o monte entre Olival e Sandim ou algo assim, temos uma epifania ao ver uma carrinha de gelados que segue à nossa frente com um ser de braços estendidos a dizer-nos "family frost"... E de repente, à nossa frente, muito mais do que a carrinha de gelados dançam nas curvas o yin e o yang, a água e o fogo, e a igualdade na família, que se não se faz pelo excesso duma das partes há-de fazer-se pelo defeito da outra.